Alinhamento societário: o primeiro grande passo Leia em 3 minutos

Alinhamento societário: o primeiro grande passo

Imagine o seguinte cenário: você percorre os corredores da sua empresa e percebe que as pessoas não falam a mesma língua que você ao se referir ao negócio. Percebe ainda o desnível de informação dos líderes em relação aos assuntos que precisam ser discutidos. Em outro momento, você descobre que a tratativa das equipes com o cliente é diferente para cada setor e que isso se tornou uma espécie de característica natural já que eles são “diferentes”. Por fim, com o seu sócio, você tende a evitar discussões para não ferir a amizade que já possuem ou até mesmo se esquivar do natural confronto que isso tudo pode gerar. Você já o conhece…

Esses são exemplos que fazem parte do cotidiano de empresas de diversos segmentos e tamanhos por conta dos incontáveis desalinhamentos em seus processos, cultura e formas de enxergar as relações e o negócio. Acreditamos que o desalinhamento societário é, em primeira instância, o “pecado original” destas empresas que, sem diálogo assertivo entre seus principais representantes, seguem inertes e à mercê das dinâmicas naturais do mercado.

Pode parecer exagero acreditar que a falta de alinhamento na forma de interagir com o cliente em uma ligação tenha a ver com o desalinhamento entre os sócios. Porém, nossa experiência mostra que empresas que não possuem uma forma constante de promover este alinhamento não se engajam da mesma maneira em compreender profundamente seu cliente e estabelecer um processo único de atenção a ele.

É preciso lembrar que uma empresa sempre terá em seus sócios um centro importante de geração de símbolos e referências que norteiam toda a cultura da companhia. Especialmente nas pequenas e médias – que tendem a achar que essa conversa não é com elas – o alinhamento societário deve ser visto como um processo constante de filtrar, na origem, os recados que vão determinar para onde a empresa está indo, como ela caminha neste cenário e por que ela existe. Recados que, sem dúvida, se tornam alicerces do negócio.

Para se promover alinhamento entre os sócios é preciso entender que a empresa é um organismo vivo e, como tal, requer cuidados constantes. E a cabeça, que é a responsável por direcionar o movimento de todo o corpo, pode ser entendida como o grupo societário. Este deve buscar alinhamento o tempo todo, caso contrário, todo o resto ficará desajustado, inerte e sem saber para onde ir.

Pode parecer exagero acreditar que a falta de alinhamento na forma de interagir com o cliente em uma ligação tenha a ver com o desalinhamento entre os sócios. Porém, nossa experiência mostra que empresas que não possuem uma forma constante de promover este alinhamento não se engajam da mesma maneira em compreender profundamente seu cliente e estabelecer um processo único de atenção a ele. Da mesma maneira, dividem seus departamentos e cargos entre os sócios e tornam estas áreas verdadeiros territórios a serem protegidos como cotas do contrato social. O resultado é triste: as reuniões se tornam trincheiras de guerra e deixam de acontecer ou possuem a mais baixa contribuição possível.

Alinhamento societário é coisa séria. Não é um assunto relacionado apenas ao espectro jurídico. Deve ser encarado como exercício disciplinar e com o objetivo de garantir a saúde e sustentabilidade da relação e do negócio. Deve refletir a visão patrimonial das pessoas envolvidas, deve permitir discussões abertas sobre os sonhos e objetivos dos empresários e, mais ainda, suas expectativas em relação aos integrantes desta turma. Não se trata de evitar conflitos, muito pelo contrário, mas de incentivar, tratar e resolver os conflitos dentro do espaço ao qual pertencem, antes de se tornarem armas nas mãos das equipes na operação e dia-a-dia do negócio.

Não permita que o desalinhamento societário impeça sua empresa de alcançar um estágio maduro e avançado como negócio. Use, o quanto antes, os diversos instrumentos de diálogo e alinhamento disponíveis para garantir que, na menor parte, sua empresa seja uma só. Os benefícios serão visíveis em todo o organismo, já que os recados e as discussões acontecerão após o filtro da unidade que representa o negócio. E este é o grande objetivo de ser sócio: promover valor em conjunto e em unidade!

Anderson Siqueira

 

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