Sobre coisas, emoções e um grande dia Leia em 2 minutos

Sobre coisas, emoções e um grande dia

Um grande dia é feito de muitas coisas. Mais do que de coisas, é feito de emoções também. Talvez as coisas e as emoções tenham relação direta, já pensou nisso? Eu diria que sim, já que coisas são emoções em forma bruta. Peço licença pra que você, leitor, parta deste princípio, ok? Sendo assim, podemos lembrar que se as coisas são emoções em forma bruta, logo, queremos ver o seu melhor estado, a forma não bruta, a essência penso eu.

Isso me fez lembrar da lapidação, um processo doloroso para que as rochas em estado bruto mostrem sua beleza. Algumas técnicas dermatológicas dão uma ideia de como ela funcionaria em nós e existem animais que passam pela chamada descamação, que também é uma forma de lapidar. Em suma, trata-se de encarar um processo de desbastar, tirar e, por fim, mostrar a essência, o natural, o belo.

Voltando às coisas que são emoções em estado bruto, precisamos pensar no que são as emoções. Um dia eu li que as emoções são efeito e causa de nós mesmos, um tanto complexo, mas gostei pelo fato de mostrar que somos feitos de e por emoções. Ao recorrer à origem da palavra, podemos encontrar seu estado não bruto, pois emoção vem de emovere (ex: fora + movere: mudar) ou seja,  mudar de lugar, mover para fora, agitar. O significado de forte sentimento veio mais tarde. Em todo caso, a entenderemos como movimento.

Uma verdadeira batalha de palavras que nos faz refletir sobre nosso estado: bruto ou essência? Em qualquer das situações, falamos de movimento para fora, ou seja, algo tem saído de nós para o mundo e é preciso atenção para entender a qualidade deste “material”. O fato é que mover-se em estado bruto é agir, como diz a palavra, de maneira tola ou até estúpida, que também pode ser entendida como confusa.

Porém, é possível agir com a essência, ou seja, com verdade e beleza. Essa, como nas pedras preciosas, pode ser entendida como nossa vocação, mas assim como acontece com elas, é preciso encarar a lapidação. Não se trata, todavia, de ignorar o restinho de pedra que ainda resiste, mas de acolher cada parte do nosso ser inteiro. Descobriremos, assim, que um grande dia é feito de lapidação, uma jornada de coragem, esperança e amor.

Anderson Siqueira




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