Não. Isso não é excelência, mas pode ser! Leia em 4 minutos

Não. Isso não é excelência, mas pode ser!

Quando alguém entrega o combinado, significa excelência? Quando diz aquilo que ficou acordado em reunião para um cliente, foi excelente? Quando executa a sua função de maneira exemplar, está cumprindo a excelência? Quando comete o mínimo de erros possíveis, quando bate as metas e quando atinge bons resultados, é excelente?

Não. Não é excelente, mas pode ser!

A posição dúbia na resposta é proposital, pois acreditamos que a excelência é uma conquista sistêmica. Isso significa que não é apenas um jeito de fazer as coisas ou um modo de pensar, mas um estilo de vida completo.

Vince Lombardi, um grande treinador norte-americano, disse certa vez que a “excelência pode ser obtida se você se importa mais do que os outros julgam ser necessário; se arrisca mais do que os outros julgam ser seguro, sonha mais do que os outros julgam ser prático, e espera mais do que os outros julgam ser possível.” A frase de Vince, por si só, é impactante. Porém, vale refletir ainda sobre alguns aspectos fundamentais sobre a excelência:

É uma questão de decisão

Não adianta achar que alguém vai fazer por você. Não adianta esperar por uma inspiração externa ou por um chamado. A excelência é a essência da capacidade humana de decidir em todos os aspectos, e decisão é um movimento existencial completo, de pensar e agir.

Pergunte-se: por que está lendo este texto? Sabe como chegou aqui? Você decidiu isso? Estar consciente de nossas decisões é o primeiro passo para optar pela excelência. Para isso, é preciso atenção e autoconsciência, pois o cotidiano muitas vezes nos furta a ação e nos deixa apenas a reação.

Reagimos ao nos deixar no piloto automático das regras, do procedimento padrão, da entrega na média e até mesmo quando “batemos” apenas a meta. Entretanto, agimos quando, imbuídos de sentido e atenção, focamos nossa energia no que realmente importa.

É exagerada

Que me desculpem os conservadores, mas vale a inspiração de Cazuza, pois a excelência é, sim, exagerada. E não vale confundir com espalhafatosa e esnobe. Essa palavra vem do latim exaggerare, “aumentar, amplificar, engrandecer”, formada com o sentido de “completamente, por inteiro” mais “levar para e trazer junto”.

Entregar a excelência é decidir pela completude, pela inteireza, por colocar o máximo de vida na ação em si. Por isso a frase de Vince está cheia de “mais”, um exagero natural aos que decidem ampliar o impacto do seu trabalho para aspectos não apenas práticos, mas emocionais e relacionais. E vale lembrar que isso não significa que a excelência está apenas em grandes feitos, pois a grandeza que aqui se fala está relacionada ao seu impacto e não ao seu tamanho.

É responsável

A beleza da excelência está no fato de permitir que sejamos responsáveis. E essa é uma palavra importante, pois tem um sentido muito amplo. Quando usamos nossa capacidade de decisão, nos tornamos responsáveis, ou seja, passamos a ser garantidores daquela decisão, assumimos os riscos e respondemos por suas consequências.

Além disso, a frase de Lombardi nos lembra a existência de um “outro” e sua “opinião”, deixando claro que sempre existirá alguém de fora a pensar diferente. Entretanto, vale refletir, que a excelência não está na comparação e na existência de um melhor e outro pior. Os entusiastas da famosa cultura de excelência Disney, por exemplo, dizem que seu maior concorrente é sua própria reputação, ou seja, a conquista da excelência virá na superação de suas próprias decisões.

O que realmente importa aqui é assumir a responsabilidade pelo seu pensar e agir, seja ele qual for. Viktor Frankl dizia que o ser humano é o único ser vivo que em qualquer circunstância (qualquer uma) tem a capacidade de decidir e responsabilizar-se.

Tem alvo

Cada um dos aspectos levantados anteriormente tem um segredo muito rico: seu alvo. Enquanto a responsabilidade traz o olhar para si, percebemos que ao falar de decisão e exagero, falamos em decidir e exagerar por algo ou por alguém. A excelência tem alvo, tem um propósito e um sentido maior do que nós mesmos.

Ser excelente é agir para deixar um legado. É uma questão de decisão por entregar mais para alguém ou para cumprir uma causa que transforme o Todo. E aqui criam-se diferenças profundas entre excelência e perfeccionismo, pois este último tem apenas um alvo ego centrado. Além disso, a excelência admite erros, admite o aprendizado, admite a superação e a evolução de alguém que está completamente engajado em levar adiante um propósito maior do que ele mesmo.

Por isso a resposta lá no primeiro parágrafo é dúbia. Por que a excelência é uma decisão sistêmica e existencial. É um ato de amor, mas também um ato prático e pragmático, que admite o carinho e ao mesmo tempo a técnica e o método. Um mundo incrível a ser desbravado.

Anderson Siqueira

*A excelência é uma de nossas crenças norteadoras. Saiba mais aqui.




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