Fracasso nos negócios: não aprender com os erros Leia em 3 minutos

Fracasso nos negócios: não aprender com os erros

Se fosse não se importar, hoje gostaria de tornar as coisas um pouco mais pessoais. Falar de erro nunca é assunto agradável, afinal, todos nós gostaríamos de acertar o tempo todo. Como empreendedores, especialmente pequenos e médios, nossa exposição às falhas é ainda maior e mais desafiadora.

Quando se começa um negócio, tendo apenas o sonho e alguns planos, temos medo constante de falhar e por tudo a perder. Quando o negócio cresce, essa pressão toma outra forma. Agora, não somos só nós, outras pessoas, outras famílias também dependem do sonho que estamos construindo. Novas decisões precisam ser tomadas a cada momento e o cenário nem sempre é favorável. Além disso, muitos empreendedores não possuem mentores ou parceiros com quem possam compartilhar ou trocar ideias. E quando menos se espera, falhamos.

Repito: todos gostaríamos de sempre acertar. E isso é impossível.

Porém, erro e fracasso não são a mesma coisa. Eles se diferenciam no produto final. O erro só se torna fracasso quando não conseguimos reavaliar, aprender e corrigir a rota. Digo reavaliar por que, na maior parte das vezes, a primeira decisão não foi tomada de maneira leviana ou sem levar em consideração o que se via naquele momento. Por diversas vezes escolhemos o que se apresenta como o melhor caminho aos nossos olhos e, ainda assim, falhamos. Porém, só fracassamos quando não estamos dispostos a aprender com aquilo que nos fez tropeçar.

Aceite, errar é normal. Toda e qualquer pessoa está sujeita a isso. E como instituições e empresas são feitas de pessoas, eles também estão fadados ao erro. Até os equipamentos, maquinários e dispositivos não estão isentos de falhas. Os processos podem ter imperfeições. Quanto mais abraçamos e convivemos com essa realidade, mais rápido se torna o processo de reavaliar, aprender e corrigir. Não é buscar o erro ou se conformar, mas considerá-lo como possibilidade constante e, diante dele, buscar extrair o máximo de aprendizado.

Assumir o risco do erro é importante para crescer, arriscar, explorar novas oportunidades e se livrar do pensamento “em time que está ganhando não se mexe”, afinal, o bom pode nos roubar o excelente. Será que este é o caso da sua empresa?

Conheça o limite da água

Acredito que um dos motivos pelos quais a possibilidade do erro assusta tantos líderes e empreendedores é desconhecer onde e até que ponto se pode errar. Não podemos ser utópicos e ignorar o fato que existem situações onde o erro leva ao fracasso. Por isso, é necessário entender qual é o limite a ser explorado.

Para falar disso, sempre gosto de usar a metáfora de um barco. Enquanto navega, uma parte dele está dentro da água e a outra fora dele. Se, por qualquer motivo, o casco que está acima da água sofrer alguma avaria, a chance do barco afundar é menor. Porém, se o estrago for abaixo do nível da água, sabemos que a situação pode se tornar crítica.

O líder que deseja um negócio saudável precisa ter clareza de onde são os níveis da água: até onde se pode ir? Até que nível é permitido arriscar de acordo com os objetivos determinados para o negócio? E quando isso estiver claro, compartilhe com a equipe. Assim, eles saberão como ser proativos e responsáveis da maneira certa. Como no mercado financeiro, movimentos mais ousados requererão maior risco, mas trarão maiores ganhos.

Por fim, gostaria de deixar um último recado: não tenha medo de tentar novamente. Assim como o mundo, nós estamos constantemente mudando, crescendo, evoluindo. Nenhum de nós é a mesma pessoa que viveu ontem. Talvez aquela ideia, aquele projeto, aquele novo produto seja bom mesmo. Só precisa dos ajustes que você percebeu quando falhou.

Seja tolerante consigo mesmo, com sua equipe, com o futuro. Nas palavras de Ferdinand Porsche, “se uma pessoa não falha de vez em quando, então, não desafiou a si mesma”.

Um forte abraço,

Anderson Siqueira


Anderson Siqueira é comunicólogo, idealizador da Consense, especialista em psicologia organizacional e em aplicações e devolutivas do MBTI. Inspirado no cultivo de ambientes de trabalho mais vivos e conscientes, construiu experiências em temas como governança, inovação, liderança e rotinas de trabalho. Se dedica principalmente ao estudo das relações humanas no contexto empresarial e à educação como forma de gerir empresas inovadoras e sustentáveis.

 




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