Fracasso nos negócios: falta de planejamento adequado

Quero começar comentando fatos que li uma pesquisa do Sebrae sobre os hábitos de empreendedores brasileiros. 70% dos empresários admitiu ter levado menos de seis meses planejando a abertura de sua empresa e 61% afirmaram não ter pedido ajuda a outras pessoas ou instituições que pudessem apoiá-lo.

 

Infelizmente, 82% desses entrevistados precisou fechar o negócio também em seis meses.

 

Este expressivo número vem de problemas que poderiam ter sido evitados: a pesquisa conta que estes empreendedores não levaram em consideração itens como hábitos de consumo do público-alvo, número de concorrentes e fornecedores. Assim, ficaram expostos à fragilidade, não conseguiram se sustentar diante dos desafios diários que o mercado propõe.

 

Sem um plano, andamos às cegas, incapazes de prever o que está adiante de nós. Por isso, planejar é mais do que estabelecer listas de tarefas, passo a passos ou somar dados a esmo. É ter um alvo cuidadosamente desenhado, um norte bem definido e a partir dele somar o que já se conhece com novas possibilidades. Criar caminhos para que o máximo possível aconteça como se sonhou considerando as variáveis ao redor.

 

Resultados, metas, riscos, decisões importantes. Todas elas serão vistas de forma mais coerente e sistêmica caso haja planejamento prévio. Aquele que se prepara pode agir – e não refletir e decidir – quando o risco é iminente.

 

E o planejamento profundo não se restringe ao início do negócio. É preciso aplicá-lo planejamento na gestão. Qual é o cenário atual de seu negócio, quais são os resultados acumulados até aqui? Seja crítico e firme para procurar falhas e melhorias nos processos. (É importante lembrar que falhas não são culpados. Seja brando com as pessoas, porém firme com os resultados.)

 

E tenha atenção para não se tornar um empreendedor que, apesar de planejar adequadamente, abre mão disso no meio do caminho. É tão perigoso quanto não ter feito nada. A flexibilidade deve ser considerada, mas como apoio na construção dos objetivos e não uma desculpa para fugirmos dos mesmos. Confie e assuma que decisões cuidadosamente pensadas no tempo da bonança serão caminhos eficientes para o tempo da tempestade.

 

A ameixa que sobra

Para finalizar, gostaria de compartilhar com você uma história que li sobre Amyr Klink. Além de ser um dos mais conhecidos navegadores do mundo, ele também atua há mais de 30 anos como palestrante e escritor, aplicando sua experiência adquirida ao dia a dia de empreendedores, profissionais e universitários mundo a fora.

 

Em livros, Klink descreve os extensos preparativos que as expedições exigem. Para sua primeira longa viagem à Antártica, realizada em 1989, foram necessários quatro anos de pesquisa alimentar com nutricionistas para chegar ao cardápio ideal. Me chama a atenção o seu relatório sobre uma experiência que viveu nesta fase:

 

“Era um programa muito bem elaborado (…) Experimentando as comidas desenvolvidas pela Takako [nutricionista das mais detalhistas que conheço] abri um pacotinho em que só havia três ameixinhas secas. E eu pedi a ela que colocasse um punhado a mais de ameixas secas. Ela perguntou se eu sabia o peso de uma ameixa seca – eu não fazia ideia, perto das toneladas de combustível que estava carregando, âncora de reserva, 400 quilos de cabos, etc.

 

Ela respondeu que cada ameixa seca pesava 10 gramas e, se colocasse uma ameixa a mais em cada pacote, a ameixinha extra afundaria o meu barco. Foi então que fiquei sabendo que eram 98 mil saquinhos de ameixa para as 169 semanas de viagem. Pensei que, se trocasse a ameixa por pera, por exemplo, afundaria o navio. Por essas e outras, Takako é uma das pessoas que mais me ensinaram sobre a importância dos detalhes para um bom planejamento”.*

 

Agora, pense em seu negócio ou empresa: será que as ameixas estão sobrando ou faltando? Somente o planejamento adequado garante a tomada de decisão de forma sábia, concreta e conectada com os objetivos e resultados desejados. Aja enquanto e defina enquanto tudo está calmo, para poder enfrentar a turbulência com mais segurança.

 

Um forte abraço,

 

Anderson Siqueira

 

*Trechos retirados do livro Não há tempo a perder e do livro-entrevista Gestão de Sonhos – Riscos e Oportunidades, de Sérgio Almeida

 


Anderson Siqueira é comunicólogo, idealizador da Consense, especialista em psicologia organizacional e em aplicações e devolutivas do MBTI. Inspirado no cultivo de ambientes de trabalho mais vivos e conscientes, construiu experiências em temas como governança, inovação, liderança e rotinas de trabalho. Se dedica principalmente ao estudo das relações humanas no contexto empresarial e à educação como forma de gerir empresas inovadoras e sustentáveis.

 

 

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