Fracasso nos negócios: falta de paixão e propósito Leia em 4 minutos

Fracasso nos negócios: falta de paixão e propósito

De tempos em tempos, somos procurados por empresas que enxergam desmotivação em seus colaboradores. Falta garra, alegria, paixão. Nas salas de reunião onde diretores e gestores sentam conosco, sobra preocupação e frustração. Eles vêm até nós na procura de algo que possa ajudá-los a desvendar o mistério que parece pairar sobre o assunto.

Com frequência, a investigação não precisa ir muito longe para descobrir que este é, na verdade apenas um sintoma de outros problemas mais profundos (se quiser ler mais sobre isso, veja este outro texto – Sintomas ou Problemas?*). Um deles é a falta de um propósito vibrante e claro. A falta deste gera desnorteio na equipe, diminuindo sua produtividade, capacidade de melhor entrega e, por muitas vezes, aumentando o número de demissões.

Mas, por quê? Talvez não seja novidade para você, mas na era da pós-modernidade e alta tecnologia, nosso tipo de ofício mudou. O trabalho industrial, que não requeria nada além da habilidade técnica e do cumprimento de padrões, deu espaço ao trabalho que exige solução de problemas, inovação e criatividade. Porém, as formas de recompensa não acompanharam o movimento e permanecem, em sua maioria, as mesmas. Inevitavelmente, a conta não fecha.

Assim, para que um negócio se mantenha saudável, é preciso focar em algo que seja propulsor da superação constante de desafios internos e externos na busca por novos resultados. Dentro da Consense, o melhor significado encontramos para propósito foi a palavra sentido, por sua dupla significação: a expressão de caminho – em qual sentido vamos – e de significado – por qual motivo vamos. Somados, estas duas respostas geram resultados expressivos para o negócio.

O propósito como combustível

Quando bem definido e bem comunicado, o propósito é fonte de engajamento, pertencimento e realização, tanto para os decisores do negócio como para o corpo de colaboradores. Dentro das situações-limite, de estresse ou mesmo na rotina de trabalho, a sensação do algo maior, do “meu trabalho importa” e a visão de contribuição com a sociedade podem ser a válvula de escape que as pessoas precisam.

Algo importante a citar: por definição, propósito não é autocentrado. Ele não existe para suprir um desejo ou necessidade interna, seja do líder ou da companhia. Isto é carência. O sentido vai para fora, para algo ou alguém maior que nós mesmos. Quando atuamos em algo que alimenta apenas nossa própria vontade ou desejo, a propulsão tem tempo e alcance limitado.

No livro Motivação 3.0, Daniel Pink nos dá alguns exemplos. Você está familiarizado com a Wikipedia? Esta enciclopédia online é um dos produtos mais conhecidos do crowdsourcing, um processo de desenvolvimento de serviços, ideias ou conteúdos mediante contribuição voluntária. E o que dizer do Linux? O sistema operacional favorito dos desenvolvedores foi em sua grande maioria desenvolvido de forma colaborativa e gratuita.

O mais interessante é analisarmos que talvez uma ou duas décadas atrás, qualquer administrador ou economista diria que iniciativas como estas estariam fadadas ao fracasso: não havia dinheiro, posição corporativa ou nenhuma outra recompensa envolvida além da oportunidade de colaboração.

O propósito como bússola

Além disso, não podemos esquecer do viés extremamente estratégico que o propósito bem definido assume em qualquer negócio, apoiando a escolha, desenvolvimento e implantação de ideias, táticas, serviços e produtos. Na empresa saudável, a missão se torna em visão, ou seja, estabelecido o alvo, determinaremos o caminho. Vemos um número expressivo de empresas exibindo de forma clara os por quês de sua existência, especialmente os que vão além dos ganhos financeiros. Veja alguns exemplos:

“A missão do Google é organizar as informações do mundo todo e torná-las universalmente acessíveis e úteis”.

“Inspirar e trazer inovação para todos os atletas do mundo. Se você tem um corpo, você é um atleta.” – Nike

“Refrescar o mundo em corpo, mente e espírito. Inspirar momentos de otimismo por meio de nossas marcas e ações.” – Coca-cola

Diante desse prisma, é possível entender a diversidade de estratégias, de tipos de relacionamento com os diversos públicos de interesse e até de produtos desenvolvidos por estas empresas. Mas isso não é privilegio das grandes companhias. Qualquer negócio pode criar um propósito, viver lastreado em suas premissas, empenhando-se para que todos os envolvidos busquem a mesma direção com a mesma energia.

Finalizo com a adaptação de frase que li esta semana: nós não precisamos convencer as pessoas; quem compartilha do propósito já está convencido. Diante disso, um conselho: garanta que a missão de sua empresa não é apenas um grupo de frases bonitas que aparecem nas identidades visuais. Propósito é bonito de se visto, mas ainda mais de ser vivido.




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