Fracasso nos negócios: esgotamento Leia em 4 minutos

Fracasso nos negócios: esgotamento

Quando foi a última vez que você fez nada?

Se você é um empreendedor, provavelmente, dirá: “foi antes de abrir minha empresa”. Uma resposta totalmente compreensível. Especialmente nos primeiros três anos de um negócio, os empresários costumam dedicar-se de forma integral, devido ao cenário de fragilidade que naturalmente se apresenta.

Mas, e se eu lhe dissesse que a entrega excessiva e sem descanso de um empresário pode ser mais maléfica do que benéfica. Isso faria sentido? Pode parecer estranho, mas a ausência de períodos de pausa pode ser extremamente prejudicial, não só ao líder como ser humano, mas ao todo. O esgotamento é um motivo silencioso, porém fatal para muitos negócios.

Um estudo do Sebrae recentemente mostrou que 55% dos empreendedores não estruturam seu negócio para funcionar durante sua ausência e acabam se privando de momentos de descanso e férias. Somado a isso, a maioria dos empresários vive o cenário do trabalho que nunca fica só no trabalho. Soa empreendedor e necessário, mas nem sempre é.

Todos precisamos de descanso, seja ele caracterizado por pequenas pausas durante o dia, aos finais de semana ou em períodos maiores. Não criar esta agenda alimenta a sensação de que estamos sempre atolados, cheios de compromissos e tarefas, nos leva a altos limites de estresse e mina nossa capacidade de sermos criativos, inovar, resolver desafios, visionar uma empresa que se perpetue a longo prazo e que vá além de nossos próprios braços.

Além disso, como gestor de pessoas, todo líder deve ter ciência de sua exposição ao esgotamento, pois ele é um educador, um constante facilitador de caminhos e recursos. Dependendo de seu perfil, isso pode ser mais ou menos desgastante. A ausência do decisor dá a equipe a chance de crescer em autonomia e se apropriar dos valores, cultura e crescimento da empresa.

Na prática

Assim, é fundamental que você, empreendedor, conheça seus limites e saiba criar escapes para fugir do esgotamento. A partir de minha vivência e do que tenho visto e aprendido com outros líderes e especialistas, condensei sete princípios que podem ajudá-lo em tirar tempo para si e não cair nesta armadilha.

Reconheça a importância de parar: assuma para si a verdade de que a pausa é necessária, saudável e essencial para garantir o crescimento sustentável do negócio. Se for o caso, relembre os argumentos que expus acima – mais criatividade, menos propensão a estresse e mais possibilidade de crescimento para a equipe.

Planeje-se: o tempo é um recurso a ser gerido. Portanto, em caso de férias ou pausas mais longas, defina as datas com antecedência e avise os interessados: equipe, fornecedores, parceiros e clientes. Use a tecnologia a seu favor no momento de orquestrar e organizar.

Tenha pessoas de confiança: como líder, é fundamental que você tenha pelo menos uma pessoa que possa receber suas atividades e responsabilidades quando necessário. Para isso, é preciso criar ao longo do tempo uma relação de confiança apoiada em níveis de autonomia claros.

Resolva pendências: pelo menos um mês antes do descanso, busque levantar e solucionar possíveis questões em aberto que estão em sua alçada, para que os assuntos não resolvidos não rondem sua mente durante a ausência.

Passe tempo sozinho para refletir: se dê a oportunidade de pensar (e repensar) a jornada até aqui. A ausência da pressão da rotina provavelmente o levará a reconhecer desafios importantes e soluções grandiosas que normalmente passam despercebidas no dia a dia.

Desconecte-se: como empreendedor, sei que este é o conselho mais difícil a ser seguido. Por isso, seja intencional: informe a equipe quem serão os pontos focais durante sua ausência e deixe claro que só deve ser acionado em casos de urgência. E se policie para também não quebrar a regra.

Faça o que te faz bem: aproveite a pausa, seja ela curta ou longa, para fazer o que é renovador e recarregador – passar tempo com a família, viajar, fazer os programas que a rotina corrida não permite. As opções são infinitas, sempre haverá algo que combine com seus gostos pessoais.

Confio que, se seguir estes passos com consistência, você terá gratas surpresas. Saber parar é tão importante quanto saber avançar.

Um forte abraço,

Anderson Siqueira


Anderson Siqueira é comunicólogo, idealizador da Consense, especialista em psicologia organizacional e em aplicações e devolutivas do MBTI. Inspirado no cultivo de ambientes de trabalho mais vivos e conscientes, construiu experiências em temas como governança, inovação, liderança e rotinas de trabalho. Se dedica principalmente ao estudo das relações humanas no contexto empresarial e à educação como forma de gerir empresas inovadoras e sustentáveis.

 

 




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