Fracasso nos negócios: desalinhamento de sócios Leia em 3 minutos

Fracasso nos negócios: desalinhamento de sócios

Trabalhar com pequenas e médias empresas nos dá ricas oportunidades. Conhecer e, em alguns casos, conviver com o idealizador do negócio dá a chance de compreender profundamente qual a história, os sonhos e os objetivos que alimentaram o início de uma carreira empreendedora. É algo muito rico.

Quando falamos de sócios, um novo mundo de histórias e possibilidades se apresenta: são pais e filhos, irmãos, amigos, colegas de trabalho e até pessoas que antes tinham pouco ou nenhum relacionamento se encontrando e descobrindo que possuem ideias, valores ou até indignações em comum. Dessa convergência nascem novas empresas quase que diariamente.

Como dito no primeiro post desta série, o IBGE afirma que 60% das empresas brasileiras fecha em até cinco anos. E presenciamos com frequência grupos societários que iniciam com muita energia, porém pouco preparados para as mudanças que o tempo e as circunstancias trarão. Já dizia a canção que “tudo muda o tempo todo no mundo”. As empresas – e as pessoas que as compõem – não estão isentas disso.

Mudam as prioridades; as experiências e vivencias, sejam boas ou ruins, constroem outra visão de mundo; o cenário e o mercado já não são o mesmo de quando se começou. E, não, mudar não é um problema. Mudar de forma inconsciente e pouco intencional é. Quando um grupo de sócios está em páginas diferentes, cedo ou tarde os resultados darão indícios disso.

Diálogo: o segredo do alinhamento societário

Para evitar o fracasso por desalinhamento dos sócios, é fundamental reconhecer o momento e não se acomodar. A sustentabilidade e o avanço saudável do negócio dependem disso. As pequenas diferenças na camada societária vão tomando corpo ao descerem para os demais níveis, a ponto de ser possível vivenciar duas empresas diferentes dentro de uma mesma companhia.

Quero dar um exemplo: imagine comigo uma dupla societária de uma média empresa em torno dos 45 anos de idade, ambos atuantes na companhia. Um deles se projeta atuando pelos próximos vinte anos. O outro, gostaria de ter tempo para fazer longas viagens em no máximo sete anos para poder passar mais tempo com sua família.

Sem alinhamento, cada um rema para um lado, com a melhor das intenções. Suas demandas, expectativas e movimentos serão diferentes.

Não há melhor ferramenta para promover o alinhamento do que o bom e velho diálogo. É imprescindível que, periodicamente, os sócios falem sobre si mesmos e sobre o negócio. Muitos empresários acreditam que os objetivos pessoais não devem entrar nas conversas societárias, porém sem a clareza de quais planos o outro possui para si e para o negócio, a relação se torna desgastada, alimenta a desconfiança, interfere no bom andamento das decisões e nos resultados e abre caminho para o fracasso.

É necessário que sócios tenham momentos recorrentes para falar sobre o que veem no curto prazo, o que esperam no médio prazo e o que imaginam para o futuro no longo prazo. Que gastem tempo se conhecendo, observando e expondo seus métodos de pensar e comunicar ao longo do tempo e das mudanças. Não existe alinhamento sem conhecimento profundo.

A conversa é o melhor método de colocar as intenções e visões para fora e alinhá-las ao que é melhor para o negócio e para o corpo societário. Que tal marcar uma reunião com seu sócio hoje?

Um forte abraço,

Anderson Siqueira




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