Fracasso nos negócios: centralização e controle excessivo

Toda empresa é, na maior parte dos casos, a materialização de um sonho. Uma ideia, um projeto, uma oportunidade, uma parceria. Ao encontrá-lo, o empreendedor mergulha, de cabeça: gasta seu tempo, seu talento e seus investimentos fazendo cada detalhe acontecer. Suor e atenção se concentram no ímpeto de fazer dar certo.

Com muito trabalho e um pouco de sorte, o cenário começa a mudar. Os clientes aumentam, chegam os colaboradores, cresce o número de pedidos. E então um novo desafio aparece: é preciso dar conta de tudo, mas o líder não tem mais condições de fazê-lo sozinho. E é aí que muitos negócios podem entrar na rota do fracasso, pois chega a hora de delegar.

Quando uma empresa cresce, o empreendedor que não aprende a transferir responsabilidade e autoridade se prejudica. Quando se estagna e não busca evoluir na mesma velocidade do negócio, torna-se, inconscientemente, sua âncora. Sem perceber, passa a matar aquilo que levou tanto e esforço para construir. O fracasso vem quando não se considera que em paralelo ao crescimento de um negócio deve estar a expansão da visão e consciência das suas lideranças.

Talvez você não saiba afirmar se este é o seu caso, então deixo a seguir um pequeno teste. Você tem dificuldade em delegar tarefas operacionais? Tem a sensação constante de que algumas tarefas só podem ser feitas da forma ideal por você? Tem dificuldade de tolerar pequenos erros ou se abrir para novas ideias ou iniciativas que venham da equipe? Não consegue tirar férias ou, quando tira, não consegue desconectar (pelo menos de forma parcial) do dia a dia da empresa? Às vezes tem a sensação de que não pode confiar plenamente em sua equipe?

Se você respondeu sim para pelo menos duas destas questões, você tende a ser centralizador. E não há problema nisso. O controle é necessário para o bem-estar do negócio. A questão é saber dosá-lo: a falta é nociva e o excesso também. Muitos empreendedores perdem a chance de expandir seu negócio por não estarem dispostos a abrir mão de supervisionar cada tarefa que existe.

Se você quer fugir do excesso de centralização e controle é preciso ter um braço direito, ou melhor, vários.

Desenvolver o nível gerencial de um negócio é um grande desafio na pequena e média empresa, não nego. Mas boa parte do sucesso ou o fracasso da empresa está na habilidade do empreendedor, diretor ou CEO de abrir mão da mentalidade operacional. Ela foi necessária no início, mas precisa ser dispensada na nova fase. E é preciso ser intencional na busca de pessoas, dentro ou for da equipe atual, que possam receber a carga da liderança.

Há prenúncio de falha quando um líder passa mais tempo fazendo o movimento de centralizar tudo em si mesmo do que desenvolvendo a equipe. Não defendo que o empreendedor seja alheio ao que acontece no dia a dia, mas a importância de que permita que cada função e cada pessoa entreguem as suas melhores contribuições.

É importante ressaltar que nem sempre um bom técnico se tornará um bom gestor. Por repetidas vezes vi empreendedores cometerem este erro e escolherem quem promover baseados apenas na qualidade da entrega técnica do colaborador. Eles esquecem que ser um líder, independente do nome que se dê ao cargo, requer uma série de condutas, habilidades, flexibilidade e disposição que a posição anterior não requeria. É preciso que a balança tenha equilíbrio.

Um nível gerencial forte permite a melhor tradução dos objetivos de longo prazo em projetos viáveis e aplicáveis, o acompanhamento próximo da equipe e o balanceamento ideal da visão do todo e da parte dentro do negócio. Combata o fracasso ao dosar o nível de controle e permitir que a equipe demonstre todo seu potencial.

Um forte abraço,

Anderson Siqueira



Anderson Siqueira
é comunicólogo, idealizador da Consense, especialista em psicologia organizacional e em aplicações e devolutivas do MBTI. Inspirado no cultivo de ambientes de trabalho mais vivos e conscientes, construiu experiências em temas como governança, inovação, liderança e rotinas de trabalho. Se dedica principalmente ao estudo das relações humanas no contexto empresarial e à educação como forma de gerir empresas inovadoras e sustentáveis.

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